quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Depressão



A anormalidade perante o comportamento aceito de uma sociedade é indicativa de doença.
Ao contrário do que se pensa normalmente, os transtornos mentais são relativamente frequentes na população infanto-juvenil: entre 15% e 22% da população apresenta alguma forma de distúrbio nessa faixa etária, sobretudo as fobias, abuso e dependência de substâncias e transtornos afectivos (depressões). Além disso há indícios de que a frequência dos transtornos mentais não aumenta com a idade, com excepção dos transtornos da cognição causados pela demência.



Depressão

A depressão é uma perturbação do humor que atinge a esfera dos interesses, da vontade, da capacidade cognitiva, do relacionamento social e a regulação dos instintos. Não deve ser confundida com sentimentos de alguma tristeza (o “estar em baixo” ou “desmoralizado”) geralmente em resposta a acontecimentos marcantes da vida, que passam com o tempo e que, geralmente, não impedem a pessoa de ter uma vida normal.

Na depressão, os sintomas persistem durante um certo tempo e podem agrupar-se de forma variável em cada doente, sendo os mais frequentes os seguintes:
• Sentimentos de tristeza, vazio e aborrecimento;
• Sensações de irritabilidade, tensão ou agitação;
• Sensações de aflição, preocupação contudo, receios infundados, insegurança e medos;
• Diminuição da energia, fadiga e lentidão;
• Perda de interesse e prazer nas actividades diárias;
• Perturbações do apetite, do sono, do desejo sexual, e variações significativas do peso (mais frequentemente no sentido da diminuição podendo contudo ocorrer aumento);
• Pessimismo e perda de esperança;
• Sentimentos de culpa, de auto-desvalorização e ruína, que podem atingir uma dimensão delirante (sem fundamento real);
• Alterações da concentração, memória e raciocínio;
• Sintomas físicos não devidos a outra doença (dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crónica, mal estar geral);
• Ideias de morte e tentativas de suicídio.



Estes sintomas perturbam o rendimento no trabalho, a vida familiar e o simples existir da pessoa doente, que sofre intensamente.
Há diferentes formas e graus de gravidade de depressão.
Em alguns casos, geralmente graves, os sintomas podem surgir sem relação aparente com acontecimentos traumáticos da vida, sob forma de episódios que perduram por vários meses. Muitas vezes os episódios repetem-se ao longo da vida.
Noutros casos, a intensidade dos sintomas é menor, os doentes vão conseguindo trabalhar, mas permanecem com uma sensação de fadiga, tristeza, desinteresse e tensão, que se arrasta durante anos.

Por vezes, a pessoa não se sente triste, manifestando-se, então, a depressão por sintomas, como a fadiga, dores várias, pressão no peito, insónia, perturbações gastrointestinais (náuseas, vómitos, diarreia, etc.), o que leva o doente a pensar que sofre de outra doença, dificultando o diagnóstico.

Algumas depressões aparecem inseridas numa doença conhecida por Doença Bipolar, na qual os doentes têm episódios depressivos, em alternância com períodos de excitação e euforia fora do normal. Nas fases eufóricas, a auto-estima dos doentes está engrandecida e existe certa perda de noção da realidade, que pode levar a pessoa doente a fazer gastos excessivos e a iniciar negócios incomportáveis.

A depressão é diagnosticada, considerando o todo da pessoa, no sentido físico, psicológico e social.
Certos períodos da vida, como a adolescência podem facilitar o desencadeamento de crises depressivas.

Na mulher o período pós-parto e a menopausa predispõem à depressão. Há casos em que a depressão está associada às estações do ano.


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